“Se a política atual tem se deslocado das ruas para as redes sociais, a arte, cujo lugar de vocação era o museu ou a galeria, tem procurado a cidade”

Imagine a cena. No espaço congestionado e barulhento da metrópole, nada parece resistir ao movimento compulsivo da vida. Executivos de terno e gravata correm com suas pastas na mão, junto aos esportistas de roupas de ginástica, que também correm nas calçadas. Esses entremeiam-se a crianças nos carrinhos, empurradas por babás, a velhos, deslocando-se devagar, e ao grupo de mulheres conversando e andando. Juntos, esses personagens compõem uma dança sincopada de batidas de sapatos, que nunca param de criar uma percussão no chão das ruas. Somam-se a eles, os pedintes, que andam, param, pedem e continuam, e aos motoristas de táxis, que ora chegam, ora evadem o ponto, num fluxo contínuo.

Essa legião de anônimos, esse mundo de aglomerados que se movimentam é, afinal, o nosso próprio espelho, refletindo-se em suas múltiplas facetas.

Dialogar com esse espaço é também compor uma tapeçaria sonora, visual e tátil, vislumbrando a diversidade de seus habitantes, de sua arquitetura, de sua sinalização, de seus códigos cotidianos. Conversar com tudo isso é, afinal, abraçar o estranhamento.

Se o espaço é o local genérico do anonimato, o lugar se refere a uma noção específica do espaço: trata-se de um espaço particular, familiar, responsável pela construção de nossas raízes e nossas referências no mundo

A ação artística busca localizar o espaço, tornando-o lugar.

Por fim, não podemos deixar de mencionar a potência da arte diante dos dilemas enfrentados pelos lugares públicos hoje. Parques, praças, igrejas, que deveriam ser de todos, vêem-se abandonados, mal tratados, sujos, ignorados, sucateados, diante de uma constante violência, ainda que potencial. Ao invés de lugar de todos, passam a ser lugar de ninguém. Tem seu uso abandonado pelo medo ou é deixado à deriva, à sombra da solidão urbana.

O desejo dos artistas contemporâneos em dialogar com os locais públicos da cidade, a exemplo do que faz o grafite e do que também propõem os participantes da Ocupação Oxigênio, é o de trocar formas e afetos com a cidade, reapropriando-se do que deveria ser público, carimbando espaços de ninguém com singularidades que lhe proporcionem pertencer, ganhar um rosto, receber o status de lugar.

Katia Canton


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About Galeria Pirata

Dacio Beraldo Bicudo, Arteducador, formado pela faculdade Belas Artes de Sao Paulo,em educaçao artistica, Curso de cinema pela Eca, Formado em Desenho na escola de Artecontemporanea de Sao Paulo. Ator e diretor de teatro com atuaçao em varias peças profissionais entre elas o Balcao de Jean Genet e Hair em Sao Paulo,Dirigiu e produziu uma serie de programas para a GNT sobre arte pela produtora Bandeira Films, Dirigiu varios comerciais,premiado e entre seus premios, um Leao em Cannes. Participou de dois longas metragens como segundo diretor, Participou de programas de TV como cenografo, Ilustrador da folha de Sao Paulo. Produz filmes e videos de arte,instalaçoes,intervencoes urbanas, tendo participado do 14 Salao de Arte Contemporanea do MAM-BAHIA
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